A construção civil brasileira deve crescer 5,2% em 2012, após fechar o ano passado com alta de 4,8%, conforme previsões do Sindicato da Construção (SindusCon-SP). Em 2010, o avanço foi de 15,2%.
"A previsão para 2012 deve se concretizar desde que o governo continue tomando medidas econômicas para assegurar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)", afirmou a entidade em dezembro, assinalando como positivas medidas envolvendo desoneração da produção, estímulo à produtividade na iniciativa privada e aumento da eficiência da administração pública.
Conforme dados do sindicato da habitação Secovi-SP, referentes à cidade de São Paulo, as vendas de imóveis residenciais novos vêm crescendo em ritmo inferior aos lançamentos desde meados de 2011. "Parte dessa divergência entre os ritmos de crescimento pode ser atribuída à desaceleração da atividade econômica como um todo", ressaltou Neves, da LCA. Motta, do JPMorgan, acrescentou: "A perspectiva para o setor não é ruim, mas já não é mais tão fácil comprar imóvel como antes pelos preços mais altos".
DESACELERAÇÃO
Na esteira da desaceleração já vista em 2011, o calo parece ter apertado mais para o mercado imobiliário brasileiro, que começa a ver a euforia desenfreada de 2010 ser substituída por preocupação e cautela, cenário que tende a se manter este ano. Na visão de especialistas que acompanham o setor, esse desaquecimento, que resultou em crescimento menor no ano passado, deve se intensificar nos próximos meses, com as empresas tendo de administrar altos volumes de lançamentos, endividamento considerável e necessidade de gerar caixa.
"Vamos ver um crescimento menor que em 2011, que foi o começo do período de ajuste", disse o analista Marcelo Motta, do JPMorgan. "As empresas sofreram com falta de planejamento, queriam crescer demais, entrar em novas regiões onde nem sempre havia escala para operar, o que prejudicou as margens".
Segundo ele, para começar a reverter a situação, as companhias devem priorizar os resultados, concentrando as operações em segmentos e regiões onde já atuam para garantir melhores margens. "O setor imobiliário vive um momento de desaquecimento, após um período prolongado de forte expansão", afirmou o analista Paulo César das Neves, da LCA, que citou ainda a elevação dos preços de imóveis como inibidor da demanda. "(É) pouco provável uma queda abruta dos preços em 2012."
Em contrapartida, ainda que o cenário pareça preocupante, a perspectiva traçada pelos profissionais não é totalmente pessimista. A demanda que se mantém em níveis saudáveis e indicadores macroeconômicos como inflação e confiança do consumidor sob controle devem contribuir para amenizar a desaceleração prevista.
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